segunda-feira, 20 de abril de 2020

EMBALO


Embalo
 (Dedicado à minha mãe)



Noite quente. No parapeito da janela
Asfixias-me junto ao peito. Não consigo dormir!
Noite abafada. Na casa ao lado, o choro contínuo de um bebé absorve o silêncio.
- Por que chora a Filipa? Exclamo.
Minha mãe responde-me: - Talvez dores de dentes, talvez! Talvez cólicas, talvez…
Olho as estrelas no céu imenso. No caminho mal iluminado, grilos cantam anunciando mais calor amanhã, talvez…
Aconchegado ali fico. Imóvel. Cantas-me baixinho “O peixinho do mar” Semicerro os olhos, só ouço o bebé continuamente em desespero chorar.
Adormeço embalado pelo “peixinho/quem te ensinou a nadar/quem foi/
quem foi/quem te ensinou a nadar/foi o peixinho do mar”!
Talvez, talvez o embalo do teu ninar!