quinta-feira, 26 de março de 2020

SÃO CRISTÓVÃO E O PESO DA PANDEMIA




São Cristóvão e o peso da pandemia


Durante a minha infância sempre tive uma especial curiosidade por duas imagens religiosas. Tratavam-se de Santa Catarina de Alexandria e de São Cristóvão. Da primeira, já expliquei o motivo em anterior postagem. Quanto ao segundo caso, o principal motivo que muito me intrigava ao ver estampas do Santo, era devido aos adultos contarem-me a vezes sem conta, a travessia de um rio com um menino sentado no seu ombro. Segundo reza a lenda, à medida que atravessavam as turbulentas águas, o menino ia tornando-se cada vez mais pesado fazendo com que São Cristóvão quase se afogasse. A minha imaginação fazia o resto! Ao ver a imagem, as perguntas disparavam querendo saber o final e por que motivo o santo não desconfiava que a criança em causa seria jesus? E como não se tinha afogado? E como pode um santo carregar todo o peso do mundo ao ombro?....
Ao fazer uma comparação com os tempos agitados em que vivemos, em que a net proporciona conhecimento como nunca, em que todos têm direito a dizer o que vai na real gana, em que os profetas da desgraça maldizentes, parvoíces e comparações com factos históricos pouco abonatórios, feiticeiros de adivinhações e outros que tal. Enumeram-se nas redes, Bandarra e as suas profecias, Nostradamus,  um chorrilho de livros em que estarão descritos que tudo isto estaria já previsto, só que ninguém tomou as devidas precauções… Para essas pessoas tão sábias e que levaram tão a peito as ditas profecias de São Cipriano, Zandingas do presente, prefiro escolher o Calimero e a sua frase mais utilizada “Isto é uma injustiça! Perdoem-me a comparação, mas por vezes tenho destes devaneios e falta de paciência.
Quanto à imagem do São Cristóvão, padroeiro dos viajantes e motoristas, quando era criança existiam todo o tipo de objetos que as pessoas colocavam na carteira ou no carro pedindo proteção divina em caso de acidente. O telejornal de ontem, mostra o presidente do México com uma imagem não identificável afirmando que a mesma o protegerá dos males da pandemia do coronavírus ao trazê-la sempre no bolso da sua camisa. Outros como Bolsonaro afirma que o vírus nele não entra! O seu principal mentor Trump,  acusa todos os males do mundo aos jornalistas maldizentes. O seu primo “despenteado” Boris Johnson afirma que está tudo sob controlo e que não precisam de se preocupar com ninharias. Confesso que pelo sim pelo não, prefiro usar no bolso o meu São Cristóvão protetor das minhas viagens ao supermercado para comprar pão. É que não me sai da cabeça como pode um pobre homem carregar ao ombro todos os males do mundo?

segunda-feira, 23 de março de 2020

PATRONATO DE NOSSA SENHORA DAS DORES

Eis uma belíssima fotografia. Gosto de "estudar" todos os detalhes fisionómicos das crianças aqui reveladas, do seu olhar de espanto perante o fotógrafo, o momento do clic, um sorriso maroto, um olhar mais triste, enfim vale a pena colocar-mo-nos no lugar das próprias crianças, na época e no motivo que levou à união da ocasião.
Segundo consta, um casal "possivelmente madeirense" decidiu oferecer a estas crianças um uniforme da Congregação de S. Filipe. O casal Ávila doou o tecido e após ser costurado conforme a idade das ditas crianças desfavorecidas, tiraram o retrato para a posteridade. A instituição ainda existe e não sei se terá mais a acrescentar, mas teria muito gosto em saber o resto da história desse feliz dia.