sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

UM COMBOIO COM ASAS E O SEU MAQUINISTA ANTÓNIO FOURNIER



Emblema da Companhia dos Caminhos de Ferro do Monte


Um comboio com asas e o seu maquinista

Quando conheci o amigo António falamos sobre comboios. Sabia do seu novo projeto literário em que o Comboio do Monte seria o tema principal e ofereci-me para lhe enviar para Turim, algum do espólio que possuo sobre o mesmo. Expliquei-lhe que possuía bilhetes, fotografias, postais e livros que lhe poderiam ser úteis no seu trabalho. Foi assim que ficamos amigos durante muitos anos. Por vezes quando passava “em transito” por Lisboa vindo ou a caminho da Madeira, aproveitávamos para desenferrujar com as últimas novidades, presenteava-me com o seu último livro com uma dedicatória e um “boneco” antes de assinar que me fazia lembrar “O Santo” da série televisiva com o Roger Moore. Era um apaixonado pela história do famoso comboio e eu explicava-lhe que tinha vivido precisamente em frente da então Estação Central do Pombal. Ontem surgiu a triste noticia do seu desaparecimento precisamente no seu aniversário e dia de Natal. Quando cheguei a casa, fui à estante consultar e recordar as suas generosas lembranças. Nesta época festiva o comboio mágico e com umas grandes asas levou o seu maquinista para a sua última viagem cósmica. Que saudades irei ter da sua companhia. Foi um prazer imenso ter um amigo assim.
Até sempre António Fournier.         

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A SEGURANÇA SOCIAL NA MADEIRA ATRAVÉS DOS TEMPOS

O encontro este semana teve ampla aceitação dos colegas. Tentei através de imagens de pequenas histórias identificar no tempo, a evolução da Segurança Social na Madeira desde os anos 50 do século passado até aos nossos dias. Agendado está para o próximo ano, no dia dedicado à mesma, mais desenvolvimentos sobre o tema. A ver, vamos!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

O MEDIDOR DE TEMPO

A minha antiguidade de serviço faz com que ultimamente tenho recebido convites para contar episódios passados ao longo da minha longa carreira profissional. São mais de 45 anos, mais de 12 mudanças de serviço e/ou instalações na sua grande maioria por mudança, extinção do serviço, remodelação etc..
Agora, sinto ser uma espécie de "contador de histórias" que como a amiga Sofia Maul  se dedica a entreter colegas, a contar fatos singulares de muitos episódios passados na Madeira e ou em Lisboa.
Talvez seja o único funcionário vivo neste momento que ainda trabalhou na velha Rua do Castanheiro, no antigo Hotel de Santa Clara, topo de Calçada do mesmo nome onde então existia o Auxíio Materno-Infantil e posteriormente a mudança de instalações, com a fusão com a ex-Caixa de Previdência do Funchal e a constituição do atual Centro de Segurança Social da Madeira. Por vezes a ligação entre a minha vida particular e a laboral, confundem-se no tempo. Talvez a minha senilidade comece a ser um problema! No entanto, por vezes quando olho à minha volta, uma grande fatia de colegas e amigos já não fazem parte do meu circulo de contatos pois infelizmente já partiram. As memórias de uma vida de trabalho, essas como a minha colega Teresa Valério que lançou dois livros de memórias, eu ainda vou resistindo.  

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

UM SEGREDO DE DEUS

José Tolentino de Mendonça

Um segredo de Deus

Deus estava cansado de tanta guerra, de tanto ódio, de tanto sofrimento. Resolveu falar com São Pedro, seu discípulo e encarregado do Céu para que lhe desse um momento de alegria, de amizade e carinho. Foi no meio de tanta tristeza, que o seu rosto fechado se abriu levemente deixando transparecer como no retrato de “La Gioconda” um pequeno rasgo de esperança, um leve sorriso.
E sonhou!
Olhou o mapa-mundi.  De olhos semicerrados,  apontou um espaço na grande esfera azul. À primeira vista, pareceu-lhe ser um longínquo espaço vazio no Hemisfério Sul, mas rapidamente concluiu ser terra Argentina. Então, chamou Francisco para seu representante.
Francisco recebeu a notícia e deixou antever um misto de medo e de tristeza, por ver a miséria que o homem criou. No entanto, não desistiu! Após leve meditação, o seu rosto pesado, cansado de tanta luta, tal como o Sol nas Pampas, levemente se iluminou e sorriu. Um sorriso como só ele podia sorrir.
E sonhou!
Também Francisco consultou o mesmo mapa! Ao acaso, apontou para um lugar. Pensou que tinha acertado no azul do Atlântico. Por mero acaso reparou que afinal era um minúsculo pontinho de terra, uma ilha perdida no imenso oceano. Era a Madeira! Do  pequeno cantinho chamou um dia, Tolentino.
E sonhou!
Tolentino recebeu a notícia! Ficou pensativo; taciturno, preocupado por tão alto cargo. Tinha a incumbência de carregar toda a Biblioteca do Vaticano nas suas humildes costas, todo o peso das palavras escritas. Era obra! Como a imensa beleza da Pietá, sentiu que o peso era compensado pela beleza da obra.  Levemente o seu rosto enrubesceu, pareceu até ter ficado ligeiramente envergonhado com tamanha imensidão.
E sorriu!
Por fim, Deus deu por completa a hercúlea obra!  Cansado pôde por fim dormitar um pouco.
Segundo consta, D. José Tolentino de Mendonça estava na Biblioteca do Vaticano pesquisando livros sem fim. Encontrou uma humilde caixa de cartão cheia de lembranças. Dentro, estavam inúmeros objectos antigos, postais de amigos que já partiram, lembranças de santos, velhas receitas etc.. No fundo da dita caixa, um manuscrito amarelecido, letra desenhada a antiga pena, dizia ser o quarto segredo do Mundo.

O resto da história é segredo e não pode ser divulgado, ou deixaria de ser por si só, segredo! Há quem diga ter visto D. Tolentino a rezar e a sorrir, um bom prenúncio para este Mundo. 

CAM - 4/10/2019

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Memórias - PÁTIO

Fotografia Perestrellos Photographos - Funchal

Nos anos 60´ do século passado o espaço PÁTIO, bem no centro da cidade do Funchal, criou uma nova forma de ver arte e literatura numa zona de esplanada e cafetaria. Tratava-se de aproveitar toda a zona junto aos Vicentes Fotógrafos, em que se podia ver as últimas novidades literárias, uma espécie de galeria aberta que funcionou até aos anos 70´ como tal.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Festa do Japão/2019

A Festa do Japão/2019, foi um sucesso! Cada vez mais concorrida e com mais atrativos, a Embaixada do Japão em Lisboa organizou a "sua" festa anual, onde não faltou gente jovem, muitos estudantes da lígua nipónica, música e costumes tradicionais, bem como comida tradicional do País do Sol Nascente. No próximo ano, haverá que melhorar ainda mais, criando melhores condições para um tão crescente afluxo de entusiastas.  

sexta-feira, 21 de junho de 2019

FESTA DO JAPÃO EM LISBOA

A Festa Anual do Japão em Lisboa, organizado pela Embaixda do Japão em Portugal, será amanhã dia 22 de Junho, à tarde, junto ao Jardim em frente aos Pasteis de Belém. Uma boa ocasião para passar uma tarde diferente com acesso gratuito.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

ANNE FRANK FARIA 90 ANOS


Photo Anne Frank Fonds Basel / Getty Images

Se fosse viva Anne Frank faria 90 anos. Tanta polémica continua passados quase um século, o seu diário, transformado em duas edições (uma original e outra com cortes), duas editoras em guerra por causa dos direitos de publicação, mancham aquilo que deveria ser a escrita sem censura de uma jovem que conta momentos de trágicos da 2ª. Guerra Mundial. A melhor maneira de a não esquecer é lendo os seus apontamentos e dar a conhecer às novas gerações.   

segunda-feira, 11 de março de 2019

UNE VALSE A QUATRE MAINS



UNE VALSE A QUATRE MAINS

Lá por alturas dos anos 40’ do passado século, contavam-me familiares mais velhos existir uma verdadeira competição musical entre duas famílias madeirenses. Era uma época em que as meninas talentosas aprendiam a tocar piano e a falar francês. As meninas frequentavam então o Colégio da Apresentação de Maria enquanto os rapazes tinham aulas no Externato Lisbonense. Mas dizia eu, estaria na mente dos Sousa e dos Pinto da Silva que as suas pupilas fossem assíduas alunas do Colégio da Apresentação tivessem entre aulas de lavores, as decanto coral. Piano só com alguma professora particular que pela cidade do Funchal se encontrasse à época. Segundo se constava, tinham dotes artísticos dignos de autênticos saraus musicais que lá para os lados do alto da Cabouqueira, onde a Calçada se torna mais íngreme e as casas parecem tocarem-se, viviam.
Eu já assisti nos finais dos anos 60’ a alguns desses encontros de cantos e piano, disputas entre duas casas, duas famílias, duas primas e dois pianos como convinha. Eram geralmente aos fins de semana quando a temperatura era mais confortável e os dias solarengos que ao final da tarde, as salas de uma e de outra habitação se engalanavam com os lustres de cristal reluzentes, amigos e parentes próximos se acomodavam nos longos sofás e canapés com naperons e colchinhas de renda ou crochet se cruzavam com almofadas de suma a uma aconchegantes. Abriam-se as verdes venezianas de madeira, e as primas iniciavam o espectáculo. De um lado, a Ana de Sousa. Do outro, Guiomar Pinto sentavam-se em pequenos bancos para escolherem o repertório entre montanhas de pautas musicais. Se de uma sala se atacava com uma polka, do outro a resposta vinha em cançonetas ligeiras ou um excerto de um compositor clássico. Seguiam-se “Für Elise”, “Torna a Surriento” enquanto “Santa Lucia” ou “O Sole Mio” eram efusivamente cantados em duetos, martelados nos pianos até à exaustão. A criançada tentava soletrar num “deslavado” italiano de indecifrável sotaque. A prima Pinto carregava no refrão “O Sole Mio”, enquanto eu virava as folhas das pautas onde estavam desenhadas as notas redondinhas sempre acompanhadas com claves de sol e tracinhos e mais tracinhos que eu não conseguia acompanhar ao dividir as sílabas escritas a negro. Ficava embasbacado como tudo aquilo se transformava em música e podia ser lido como uma página de um livro.
Na sala dos Sousa, tocava-se “La vie en rose”, enquanto Guiomar saltava para Maria Lurdes Resende entoando aos   quatro cantos do salão “Quem passa por Alcobaça/Não passa sem lá voltar!...”. Eu não sabia o que era Alcobaça, ficava a ver os outros cantar. Mas a letra ficava no meu ouvido e por vezes cantarolava e inventava à minha maneira “Quem passa por Alcobaça/Nunca mais lá quer voltar…” era o que me saía da imaginação.
Por vezes os sons silenciavam-se! Os adultos aproveitavam para pedir esta ou aquela modinha preferida. Por vezes chegava perto do piano e tentava dedilhar sons entre teclas negras e alvas como marfim. Suplicava “Música no coração” ou aquela música de um filme que tinha visto no cinema onde uma senhora de guarda-chuva voando sobre os telhados de Londres cantava “Super-cali-fragil-isti-cation… (indecifrável). Os mais novos, batiam palmas falham o tempo e desafinando, mas o que interessava era a prima tocar e cantar como a Julie Andrews “Super-cali-fragil….”
Eram serões animados onde um bom jantar era ouro sobre azul. E nós já estávamos cheios de sandes de carnes frias e sumo de maracujá. Sabíamos que o teclado emudecia aos acordes das primeiras cinco notas do “Danúbio azul”. Do outro lado da calçada, o outro piano ripostava desafiando com as restantes notas da valsa de Strauss. Era o fim da tertúlia, entre palmas e bravos se sucediam, e as primas faziam vénias sem fim, agradecidas entre risos e brincadeiras. No corredor, alguém anunciava que o jantar estava na mesa! Apagavam-se as luzes e os cristais pendentes nos altos tectos deixavam de brilhar até a próxima oportunidade.
Mas foi nos finais da década de 60’ que tudo acabou! Os pais foram partindo para sempre, os pianos ficaram mudos e com pó, as mãos das primas trémulas e sem vontade de cantar ou tocar. As pautas cheias de notas redondinhas, de claves de Sol e tracinhos que dividiam as palavras ficaram guardadas em gavetas das comodas, as venezianas deixaram de ser abertas de par em par como envergonhadas pelos sons musicais que jamais tocariam valsas e canções napolitanas. “O Sole Mio” já não brilhava nem o “Super-cali-fragil-isti…  subia aos telhados de Londres. As primas faleceram, os pianos foram parar a uma casa de leilões ali para os lados da Mouraria. Foi o fim de uma época dourada que entre o velho casario da Calçada da Cabouqueira, um catavento com um galo no topo anunciava outros ventos no horizonte. 


CAM







terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

A BANDA MUNICIPAL ESTÁ DE VOLTA!

A BANDA MUNICIPAL ESTÁ DE VOLTA!

Seria nos finais de Janeiro, que se começava a ouvir com maior regularidade o batuque, a afinação dos diversos instrumentos musicais que ali para os lados da Rua 31 de Janeiro, indicava que a Banda Municipal andava em ensaios para o Carnaval. O som ultrapassava os quintais, o velho casario paredes meias entre a Fábrica Hinton e a Ribeira de Santa Luzia. Pela tardinha, as modinhas aceleravam, tentando acertar o passo entre tubas e fagotes. Brevemente seria a semana de Carnaval e a banda faria a sua aparição pelas principais artérias funchalenses. 
Era o ribombar de bombos, instrumentos de sopro  os primeiros a chamar a atenção do povo que se agrupava para ver a banda passar. Por entre as venezianas, espreitava-se sem ser visto perante tamanha algazarra, barulheira que a uns incomodava e a outros faziam-se acompanhar pelo ritmo quente das modinhas. A criançada, essa perseguia os músicos até ao Jardim Municipal, onde o semi-circulo do palco estava engalanado com coloridas serpentinas e onde cadeiras previamente e estrategicamente colocadas, aguardavam os homens da banda.

Ei-los que chegam! Devidamente engalanados, imitando os índios do Brasil, com vastas e coloridas penas, máscaras e pinturas faciais capazes por em pé os cabelos dos mais pequenos, que fugindo de soslaio, olhos esbugalhados envoltos em mistério e medo. Indiferente, a Banda Municipal tocava o vasto programa nas pautas musicais. Era Carnaval, época de pregar sustos a pequenos e graúdos. E enquanto tocavam sem parar ritmos quentes , modinhas brasileiras, havia sempre alguém com alguma matreirice acompanhava no refrão: Mamãe eu quero…          

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

UMA PENICADA DE CAFÉ

Uma penicada de café

A menina Isaura logo ao raiar da manhã  anuncia aos quatro ventos que já fez uma penicada de café. Mal os colegas ainda com olheiras de noites mal dormidas chegam ao serviço. Depois são doces, bolachas, uma parafernália de açucarados segundo a sua versão: Tudo caseiro… sem corantes nem conservantes para não ferir algum estômago mais sensível.
A menina Isaura é assim todos os dias do ano! Sempre bem disposta saltitando de história em história. Ora está na sua cidade da Beira, de imediato está em Lourenço Marques, Portalegre ou Peniche, como se não houvesse distância, tudo ali pertinho! Às vezes, parece estar debaixo de um imbondeiro contando e encantando meninos travessos aqueles acontecimentos de outrora.  Emociona-se quando fala da sua adorada Beira e um brilhozinho ameaça irromper nos seus olhos.
- Saudade! Eu sei o que isso é!... Depois, recompõe-se e afugenta a tristeza, inventa expressões que não existem nos modernos dicionários, sempre prestável, afável no seu trato, contudo no seu lado mais profundo. Vive como flores coloridas pintadas por crianças. Nós somos os seus meninos mimados em busca de colinho enquanto desabafa de novo. Vai mais uma penicada?   

    
Obrigado pelo seu café que nos faz todos os dias.

Como conclusão, direi que a menina Isaura nasceu na velha Lourenço Marques, viveu na cidade da Beira e é minha colega Educadora de Infância duas décadas a aturar esta criançada. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

2018 revisitado

Nesta altura do ano, costumo fazer uma pequena reflexão do ano que passou e daquilo que mais me marcou o ano agora terminado.
Assim, e dando especial ênfase à parte musical, não deixo de lamentar o desaparecimento da amiga a cantora alemã Andrea Yürgens. São muitos os anos que uniam a nossa amizade, desde os anos 70' até ao presente. O seu desaparecimento precoce marcou este ano de 2018.
Depois, Aretha Franklin e quase a terminar o ano, Miucha uma das irmãs de Chico Buarque. Os quarenta anos da morte de Jacques Brel, praticamente passou despercebido na nossa praça.
A palavra que mais me marcou foi Brexit! Os britânicos no seu melhor... desde que acederam à União Europeia foram sempre entraves; complicações e birras. Desde os tempos da Dama de Ferro, Union Kingdom tem-se afundado devagar, muito devagar até à imersão total. Tatcher não passou de uma ditadora que destruiu a economia e não nos podemos esquecer da luta com os metalúrgicos, a Guerra das Malvinas. May é a continuação de um país à beira do precipício. Os cem anos do nascimento de Madiba, Nelson Mandela ficará na história do nosso planeta eternamente como um símbolo dos Direitos do Homem. Consultando a agenda pouco mais de significativo poderei atribuir a um ano que ainda agora terminou!