sábado, 25 de agosto de 2018

NA ESQUINA DO MUNDO VÊ-SE TUDO

Fotografia tirada junto ao Golden Gate. O famoso café na esquina mais famosa do Funchal foi apelidado pelo escritor português Ferreira de Castro, como sendo a "Esquina do Mundo". Ali passava o mundo de turistas, intelectuais e comerciantes, falando todas as línguas de Babel. Tudo numa reduzida esquina. Ao fundo, o edifício da ex-Junta Geral.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A PAIXÃO PELO MAR (III)

A PAIXÃO PELO MAR


Ficava fascinado com o pequeno lago na antiga Quinta Vigia. Era circular, com plantas aquáticas e no meio um pequeno esquife em madeira. Nada melhor do que conseguir por todos os meios uma lancha em plástico porventura comprada no velhinho Talassa ou numa barraca do mercado. Ao contrário do “Titanic” esta lancha com mais de meio metro era inafundável. Eu próprio tinha feita a experiência ao colocar-me em cima daquela autentica prancha achatada. Enquanto a lancha saltava em longos loopings, eu caía no lago. Mas uma coisa era certa, era mesmo inafundável! 

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

AS MINHAS PRIMEIRAS AMARAGENS (II)

AS MINHAS PRIMEIRAS AMARAGENS

Ao contrário do ditado que diz que “Quem sai aos seus não degenera!” lembro-me de ficar fascinado pela água desde muito cedo. No fundo do quintal havia uma cascata com um pequeno lago, onde avencas agarradas que nem lapas, desenvolviam-se na densa humidade. Certo dia, lembrei-me de ver o que se passava e cai dentro do pequeno lago artificial. Foi uma queda com algum aparato, acabei amarando numa água esverdeada e lodenta  que cobria o fundo. Acabei “pescado” e deixado escorrer até que alguém lá de casa trouxesse uma toalha e me desse uns tabefes. Foi a minha primeira amaragem!

Duraria pouco tempo, pois a segunda foi num belo dia em que agachado no pequeno terraço de repente desequilibrei-me e caí no longo poço de lavar feito em cimento. Amparado pela imensidão de lençóis postos a corar entre a saponária de então misto de Clarim e sabão azul. Como prémio, conservo ainda um corte que marcou uma das sobrancelhas. Esta seria a minha segunda e última amaragem copiando os hidros da Aquila Airways que visitavam a cidade do Funchal.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

DE UMA MÃE COM FOBIA PELO MAR (I)

CRÓNICAS DE UM MARINHEIRO DE ÁGUA DOCE

Sem tentar "copiar" as Crónicas da beira-mar" do amigo Victor Caires, a verdade é que achei que poderia contribuir com mais umas "braçadas" para este imenso lago atlântico.


DE UMA MÃE COM FOBIA PELO MAR


Nestas coisas de mar de navios, a memória foge-me para o meu baptismo marítimo. Confesso, que nunca percebi como é que a minha mãe pode viajar de Lisboa para Santos e regressar no navio “Vera Cruz” ou viajar para a Madeira ainda nos antigos navios mistos como o velhinho “Lima” ou “Carvalho Araújo”.  Dizia-me que entrava no navio, dirigia-se ao camarote e só de lá saía depois de certificar-se que realmente o navio estava acostado.  Via-a no navio “Funchal” na sua última viagem pelo Atlântico sair do camarote cambaleando entre enjoos, sacos de plástico de emergência ou chamando o “Gregório”. Era certo e sabido que a sua alva face ficava rubra de tanto esforço, tendo equilibrar-se nos varões ou nas escadas que dividiam os diversos decks. Depois vinha a recuperação da odisseia trágico-marítima contada vezes sem fim que nunca mais punha o pé num navio. Bastava falar em mar e mudava logo a cor da face como se estivesse realmente em alto mar.