sexta-feira, 25 de maio de 2018

A SEREIA DAS DESERTAS

A sereia das Desertas

Por alturas da 2ª. Guerra Mundial, constava-se que em noites escuras, lá para os lados da Deserta Grande aparecia uma sereia exibindo um facho luminoso. Segundo parece, faria sinais aos marinheiros que passando ao largo da referida ilha. Assim contavam os mais velhos, alguns deles já nem se encontram entre nós! A bela sereia de belos e longos cabelos alvos como a espuma, era alvo de constantes debates. Homens do mar que em tascas esconsas e sujas, junto ao Mercado dos Lavradores, arranjavam discussões pela noite dentro, entre copos de vinho seco e “dentinhos”, aviados em pratos sebosos. Uns diziam que sim, acreditavam piamente na presença desta figura metade peixe metade mulher. Outros, com opiniões contrárias justificavam ser impossível. Talvez a justificação estivesse no álcool emborcado em grandes doses, corpos cambaleando como se estivessem à proa de um qualquer “pesquito” colorido daqueles que encontramos na vila de Camara de Lobos adormecidos no calhau. Certo era, em dias que as Desertas pareciam mais próximas da Madeira, anunciando a presença de chuva no horizonte, haviam pessoas que nos balcões das suas casas ou em janelas viradas para Este, apontavam as lentes dos binóculos, procurando a presença de tal personagem. Nos boatos do povo, as notícias corriam de boca em boca à velocidade da própria luz, em serões apimentadas de familiares e amigos sedentos por uma boa discussão ou em silêncio os mais cépticos, à procura de uma possível explicação para o sucedido. Pequenas lanchas e embarcações de pesca, navegavam junto aos negros rochedos na procura da sereia, afirmando terem encontrado sinais da sua presença mas nunca algo verdadeiramente satisfatório. Quanto à minha opinião, seria algum lobo-marinho que rondaria a dita ilha. O certo é que acabou por cair no esquecimento, devido à falta de provas e às notícias falsas.

Anos mais tarde, uma outra sereia apareceria ali para os lados do Lido. Esta vagueava em pleno dia com trajes mais modernos para a época, pois segundo os entendidos usava biquíni e nadava junto ao do Ilhéu do Gorgulho. Às lentes dos entendidos, dizia-se que a bela sereia afinal não passava de um travestido bem conhecido da nossa praça exibindo dotes físicos e dando espectáculo aos curiosos. Uma verdadeira fraude para mais tarde recordar!