segunda-feira, 23 de abril de 2018

AINDA O CRIME DOS FRIAS

Uma septuagenária assassinada, o marido e a irmã gravemente feridos por assaltantes noturnos que se introduziram na sua residência.

O titulo do Diário de Noticias de 21 de Junho de 1968, fazia a manchete do vespertino madeirense.
No nº. 23 do Beco dos Frias, Manuel Abreu de 89 anos, Maria Maurício Abreu de 74 e Júlia Maurício foram o primeiro assassinado e as duas mulheres agredidas até à morte.
Durante mais de um mês, até à sua conclusão em 26 de Julho do mesmo ano, a Policia Judiciaria acabou por desvendar este misterioso crime. Segundo a imprensa da época, o casal ex-emigrantes nos Estados Unidos da América, residiam numa humilde habitação na já referida artéria funchalense. Trazendo algumas economias e tendo receio das instituições bancárias, resolveram colocar os seus bens em buracos nas paredes da casa. Possivelmente ou foram detectados por vizinhos ou em conversas, acabou por  atrair os larápios que se introduziram pelo telhado da habitação, amordaçam e assassinaram as pessoas que lá viviam.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O CRIME DO BECO DOS FRIAS

No Verão do ano de 1968, a Madeira foi abalada por um crime violento. Os periódicos funchalenses noticiavam um crime no Beco dos Frias. Um idoso tinha sido encontrado morto em circunstâncias muito misteriosas. Após investigação da Policia Judiciária, o assassino utilizou o telhado da velha casa para se infiltrar na habitação. Depois, empunhando uma arma branca, esfaqueou o idoso para roubar determinada quantia em dinheiro escondida debaixo da cama. O certo é que na época, o medo foi de tal ordem que as pessoas evitavam andar à noite na via pública na zona de ocorrência. Temia-se que o assassino pudesse consumar novo crime. As duas senhoras idosas que trabalhavam em minha casa, todos os dias iam rezar o terço na Igreja de Santa Clara ao final da tarde, ao menor ruído temiam pela sua vida, rezando de fio a pavio, o pequeno rosário, tentando livrar as almas pecaminosas do Inferno. Por sua vez, eu que passava diariamente no início da noite na zona do assassinato, sentia calafrios só de ouvir passos na rua, procurando sempre no intervalo entre candeeiros, refúgio na noite escura. Até que vários dias passados, e para sossego da população o criminoso foi detido pela PJ, possivelmente após ser tratado com um correctivo à maneira da época, despejou toda a história mirabolante e a população pode enfim dormir descansada.     


THOMAS MANN

Estava na livraria pesquisando, tirando da ordem, livros e mais livros densamente espalhados em longos tampos de mesa e longos corredores. Ela entrou e veio direita ao meu encontro. Olhou-me e de soslaio tentou desvendar titulos de capas coloridas. Depois, de repente perguntou-me se já tinha lido Thomas Mann? Disse-lhe que só tinha lido em português. Então foi direta ao empregado e perguntou o escritor alemão. Algum tempo depois, apresentava-me dois exemplares de oferta para mim. Pedi-lhe dedicatórias para que pudesse resistir ao meu tempo. Danke!        

Munique e Copenhagen


Se o avião partia breve rumo a Munique, eu já estava aninhado à janela do airbus da Lufthansa. Pela primeira vez ia visitar a Baviera e confesso a minha emoção. Depois partiria a caminho de Copenhaga num outro avião da SAS em busca de Andersen e da sua sereia à beira-mar. Só depois passaria pelo Tivoli para ver o parque.       


terça-feira, 10 de abril de 2018

SÜD-EXPRESS

Escureceu rapidamente! Na estação de comboios senti-me perdido. Procurava uma referência, um lugar onde pudesse passar algum tempo. O frio magoava! A chuvada da tarde tinha entranhado nos ossos, quando de uma loja alguém vendo-me meio perdido convidou a entrar e aquecer-me. Confesso que fiquei eternamente grato com o gesto agradecendo vezes sem conta. Aperceberam-se que não era cidadão alemão possivelmente pelas roupas inapropriadas ao clima, mas tinha sido apanhado desprevenido e com poucos marcos na carteira. Sentei-me numa mesa, continuando a fitar as diversas plataformas, as composições paradas. O afluxo de passageiros abrandava à medida que as horas passavam e a noite caía. Deu-me para olhar os vários posters turísticos densamente coloridos que ilustravam pequenos placards. Chamonix e Davos, Nice e a Cote d’Azur. Um despertou a minha atenção. Dizia: Rossio Central  Station Portugal. Um comboio a vapor percorria a parede com a praia do Estoril inundada por um Sol quente de Verão. E eu ali batendo o dente…