quarta-feira, 12 de maio de 2021

REBUÇADOS CAVALINHO E CHINELOS

Já escrevi a algum tempo, uma pequena história sobre os rebuçados Cavalinho. Outras histórias virão!

Na segunda metade da década de 60' do século passado, apareceu no mercado madeirense uns rebuçados chamados de Cavalinho, com muita publicidade nas rádios e jornais locais. Era um massacre todo o santo dia, anunciando prémios e mais prémios de cortar a respiração fazendo com que a pequenada andasse completamente louca pensando que iria toda a felicidade do mundo nos ditos rebuçados. Pelo que sei, bicicletas, trens de cozinha??? e outros prémios de que não tenho memória, enchiam as velhas vendas e mercearias do bairro de criançada em busca do prémio desejado. A época não estava propícia a brinquedos que custavam dinheiro e que os pais mesmo aqueles que teriam carteira mais abonada estariam na disposição de gastar alguns escudos em doces.

Maria e Ana, duas irmãs naquele dia estavam sem possibilidade de almoçar. No entanto a mãe tinha pedido que ambas fossem a casa do avô pedir algum dinheiro para comprar milho para o almoço. E assim foi! Chegados a casa, o avô deu algum dinheiro para matar a fome. Pelo caminho as duas irmãs lembraram-se que poderiam gastar algumas moedas em rebuçados, os tais que a rádio azucrinava a cabeça dos mais novos e causava o alvoroço nas vendas, pois os doces eram embrulhados em papel colorido e numerado. quem conseguisse completar todos os números receberia prémios fabulosos... 

Maria e Ana gastaram o dinheiro todo em doces. Foram ficando desembrulhando um após outro em busca dos prémios, e empanturrarem-se até não conseguirem comer mais. Agora, o problema seria  chegar a casa e explicar onde foi gasto dinheiro? Pensaram que o avô não teria dinheiro disponível naquele dia! Mas nessa altura já a historia estava desvendada e após um grande sermão, choro a dobrar, e ameaças de castigo, a mãe já estava adiantada no tempo com o chinelo em punho, enquanto as duas irmãs corriam pelo velho campo do Marítimo, cada uma tentando escapar à fúria do castigo. Doa rebuçados Cavalinho não consta que tenham ganho qualquer prémio, a não ser a terminação chinelada em cima de cada uma das filhas para aprenderem que o doce dos rebuçados amargavam demasiado naquele dia e não foi preciso completarem a numeração dos mesmos.

terça-feira, 11 de maio de 2021

DIA DA SEGURANÇA SOCIAL

 

A data de 8 de Maio é oficialmente comemorado o Dia da Segurança Social. Todos os anos, vários colegas são alvo de homenagem pelos anos de dedicação. Em 2019, foi a vez da minha colega de longa data Maria Helena Cadete. Enfermeira de carreira, veio à Madeira pela primeira vez fazer Ações de Formação com os colegas do recém formado Centro de Segurança Social da Madeira. Juntamente com a sua amiga e colega Drª. Eduarda de Almeida, Assistente Social, contribuíram com o seu trabalho para o desenvolvimento e bem comum das novas atividades de Ação Social que nasceram nesse ano de 1979. Mais tarde tive o prazer de trabalhar diretamente com as mesmas. Longa vida é o que se deseja!   

terça-feira, 27 de abril de 2021

AVENIDA DO MAR -ANOS 60'

 

A Avenida do Mar, embora tenham rebatizado o nome para Avenida das Comunidades Madeirenses o povo continua a chamá-la pela antiga designação. Fotografia dos anos 60', mostram as bombas de gasolina da Esso ou Sonap, edificios em construção junto à atual Assembleia Legislativa da Madeira, os velhos autocarros da Rodoeste (penso que seria esse o nome da empresa). O mundo estava naquela avenida, olhava-se o mar nos passeios habituais, o movimento no porto os navios que chegavam ou partiam, as velhas lanchas que prestavam apoio aos navios, navios de cabotagem etc..  





sexta-feira, 23 de abril de 2021

Encontros em Cidades Únicas - Aarhus, a cidade mais feliz do mundo

Encontros em Cidades Únicas: Aarhus - No último episódio, a jornalista Alexandra Alévêque leva-nos a conhecer os habitantes de Aarhus, a segunda maior cidade da Dinamarca. Conside.

Porque Aarhus uma cidade dinamarquesa com aproximadamente 300 mil habitantes, é considerada a cidade com a população mais feliz do Mundo? É ver o documentário da Jornalista francesa Alexandra Alévêquer e ver as diferenças em relação a Portugal.
   

terça-feira, 20 de abril de 2021

OS CUMPRIMENTOS DO GOVERNADOR

 Quando o novo Governador chegou à Madeira decorria o mês de Março de 1969. Na altura, o acontecimento causou impacto na Ilha. As pessoas tinham curiosidade de ver o novo representante da República. Eu cheguei a vê-lo várias vezes e embora não tenha referências políticas pois era muito jovem, o que mais me surpreendia era sua altura fora do comum. Na verdade o Governador Braamcamp Sobral era um homem talvez com 1,80 m. ou mais, o que se fazia notar nas cerimónias oficiais. Domingo, ao final da tarde, o render da guarda de honra do Palácio de São Lourenço, os militares recolhiam a bandeira nacional e o Governador estava presente. O povo cercava o relvado para ver a cerimónia. Depois, o recolhia-se para aparecer ao final da noite, subindo a avenida. Várias vezes passou por mim e cumprimentava a minha tia com um cordial: - Boa Noite! Seguindo em direção do Golden Gate para jantar ou tomar o seu café. Nós ficávamos a olhar aquele homem esguio sumir na "Esquina do Mundo". 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

O REI FAZ 80 ANOS

 

Roberto Carlos faz 80 anos hoje!

Eu teria os meus 7 anos. Empoleirado na janela, cantava pelas tardes para a minha vizinha Goretti a música do Roberto "Eu te amo"! Goretti teria os seus 20 anos e adorava ver e ouvir-me cantar. Do alto da janela ou junto ao muro que separava os dois quintais, ela sorria e pelas escondidas dava-me mangos, da velha árvore junto à Quinta das Cruzes. Por vezes, a patroa zangada gritava-lhe quando a via falar comigo. 

- Maria Goretti venha já para dentro! - Ela sorria e fazia-me sinal que quando algum mango estivesse maduro guardava para mim. Quando o Rei cantava na rádio, eu aumentava o volume e dedicava-lhe a canção. Ela ficava deliciada!     

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

TARDES DE NOSTALGIA

 

TARDES DE NOSTALGIA

 Seria sábado possivelmente! Pela tarde e se houvesse paquetes no molhe da Pontinha, haveria com certeza serviço de lanchas em constante vai e vem entre o Molhe e o Cais da Cidade. Aproveitávamos o velho gasolina para espairecer um pouco no novo molhe recentemente ampliado em 1963. A lancha ronronava sonhando grandes viagens transatlânticas que não passavam de idas e vindas, passageiros que procurando ganhar tempo na longa volta pela estrada da Pontinha, faziam em pouco mais de 10 minutos o percurso rápido e sem pó pela velha estrada muitas vezes poeirenta e onde camiões espalhavam palha e pó à sua passagem. Já no molhe, subíamos a escadaria que dá acesso ao farolim do porto. Aí ficávamos sentados a ver todo o buliço do porto, os passageiros ora subindo ora descendo as escadarias dos navios, o movimento de táxis e de autocarros de turismo que davam apoio aos diversos navios turísticos. Os cargueiros e navios mistos, esses com os paus dos guindastes pareciam dançar com caixas de madeira, bagagens diversas, fardos de palha e até gado bovino vivo vindo dos Açores. Conforme o navio encostado, sabíamos os seus destinos, entradas e saídas, horários etc. Bastava o radar de bordo começar a trabalhar para que soubéssemos que determinado navio estaria em breve de saída. O ronronar dos rebocadores, das diversas lanchas com o stafe das companhias de navegação, os pilotos, a policia marítima etc., tudo acompanhava o protocolo de entradas e saídas do tráfego marítimo. No alto da muralha, junto ao pipeline passávamos a tarde sonhando grandes viagens. A minha tia escrevia poesia num gasto bloco de apontamentos com um daqueles lápis fininho da Viarco comprado possivelmente na Papelaria do Colégio ou no Bazar do Povo. Por vezes, passávamos longos períodos de silêncio, até a tarde começar a perder luminosidade, as luzes da cidade e do casario do anfiteatro do Funchal, começar a acender como estrelinhas no límpido céu. Era o sinal de regressarmos a casa, de calcorrear todo a estrada e de subir a íngreme Estrada Carvalho Araújo. No topo, a velha piscina do Hotel Atlântico, do Savoy eram o epílogo do sábado e do jantar à espera na velha cozinha. Tempos em que os dois sonhavam vezes sem fim em sair da ilha, contudo só eu o fiz. Anos mais tarde, eu não conseguia adaptar-me a cidades grandes, cidades sem mar e sem sonhos. Então voltei, nostalgicamente continuei a volta dos tristes até à partida definitiva da minha tia. Eu continuei a fazer o mesmo percurso anos a fio dialogando comigo mesmo, fazendo de conta que continuava acompanhado do seu bloco de apontamentos, das suas poesias nostálgicas e palavras ternurentas