terça-feira, 21 de março de 2017

O HOMEM DAS CESTAS

Fotografia de autor desconhecido, retirado do blogue. Madeira de antigamente

O homem das cestas
carrega aos ombros 
todos os dias
almoços dos patrões
enquanto o suor em bica, cai
do seu rosto. A fome aperta
que em qualquer tasco 
se avia em meio-pão com molho
e um copo de jaquê
escorrido pela garganta.
Ele sabe que tem de ser célere, 
descendo a calçada em passadas mecânicas,
Suadas botas de vilão.

O homem das cestas
todos os dias, carrega a longa vara
de vinhático, vergando os ombros doridos, 
leva nas extremidades 
cestas e mais cestas que dançando, bailam
bailinhos de pobreza.


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