terça-feira, 4 de agosto de 2020

OS TRÊS MAX'S DA MADEIRA

O poeta brasileiro dedicou em 1973, um poema dedicado aos três Pablos falecidos nesse ano.

Que año más sin criterio,
ese del setenta y tres.
Llevó para el cemeterio,
a tres Pablos de una vez.
Tres Pablotes, no Pablitos
En tiempo, como en espacio,
Pablos de muchos camiños
- Neruda, Casals, Picasso...


Na Madeira existiram três grandes Max's.

Carlos Maximiliano Imperador Austro-Hungaro, o pintor Max Römer que viveu e faleceu no Funchal e o "nosso" Max grande ator madeirense. 

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segunda-feira, 18 de maio de 2020

A BOTICA INGLESA E O BEBÉ NESTLÉ


Houve tempos em que lá em casa, cada um dos familiares tinham as suas lojas preferidas e eram clientes fieis às mesmas. Não importava se fossem cafés; esplanadas; piscinas; livrarias, mercearias ou farmácias. Na mesma habitação cada um tinha as suas opções mas no que diz respeito às ditas farmácias a escolha pela Botica Inglesa, então acima da média com instalações modernas e brilho profissional dos seus empregados, ficava acima da média. A sua localização num cruzamento entre e Câmara Pestana, Carreira e a Avenida Zarco, bem como estar junto a diversos estabelecimentos como a Estação Central de Correios (à época), a Junta Geral e outros de igual importância, contribuíam para a sua procura.
Seria ainda muito pequeno, quando comecei a prestar atenção aos anúncios, aos reclames luminosos, a dita Botica fazia parte da nossa vida no caso de se necessitar de cuidados de saúde. Eram tempos que se transformavam produtos farmacêuticos, mezinhas, xaropes, etc., pesados em pequenas balanças e embaladas em caixinhas de cartão, frascos ou folhas de papel meticulosamente dobradas quando confecionadas no interior do estabelecimento. Uma das suas funcionárias que durante décadas acompanhou todo o meu crescimento desde a infância até ser adulto, sempre com carinho e simpatia profissional. Quando entrava no estabelecimento, o cheiro a remédios, misto de perfumes e pós de talco, contudo o meu olhar fitava um pequeno busto de um bebé possivelmente em terracota com espessos cabelos encaracolados e um sorriso radiante. Por baixo exibia a palavra Nestlé! Confesso que nunca simpatizei com tal criatura de caracóis fartos a sorrir na minha direção e muito menos com aquele sorriso provocador de quem comia aquela mistela de papas intragáveis e ainda por cima fazia concorrência ao meu cabelo ondulado alvo de constantes tesouradas. Com o passar do tempo, o bebé mantinha-se bem no alto da vitrina central, impune à minha juventude. A senhora de pequenos olhos rasgados, parecia ter algo de oriental, continuava a sorrir-me recordando possivelmente outros tempos, no entanto o busto da criança esse mantinha-se inalterado. A farmácia, essa manteve-se e com ela recordações de entes queridos, dores de barriga e febres comuns, enxaquecas e afins, eu no entanto continuava a evitar olhar o dito boneco.    

segunda-feira, 20 de abril de 2020

EMBALO


Embalo
 (Dedicado à minha mãe)



Noite quente. No parapeito da janela
Asfixias-me junto ao peito. Não consigo dormir!
Noite abafada. Na casa ao lado, o choro contínuo de um bebé absorve o silêncio.
- Por que chora a Filipa? Exclamo.
Minha mãe responde-me: - Talvez dores de dentes, talvez! Talvez cólicas, talvez…
Olho as estrelas no céu imenso. No caminho mal iluminado, grilos cantam anunciando mais calor amanhã, talvez…
Aconchegado ali fico. Imóvel. Cantas-me baixinho “O peixinho do mar” Semicerro os olhos, só ouço o bebé continuamente em desespero chorar.
Adormeço embalado pelo “peixinho/quem te ensinou a nadar/quem foi/
quem foi/quem te ensinou a nadar/foi o peixinho do mar”!
Talvez, talvez o embalo do teu ninar!




quinta-feira, 26 de março de 2020

SÃO CRISTÓVÃO E O PESO DA PANDEMIA




São Cristóvão e o peso da pandemia


Durante a minha infância sempre tive uma especial curiosidade por duas imagens religiosas. Tratavam-se de Santa Catarina de Alexandria e de São Cristóvão. Da primeira, já expliquei o motivo em anterior postagem. Quanto ao segundo caso, o principal motivo que muito me intrigava ao ver estampas do Santo, era devido aos adultos contarem-me a vezes sem conta, a travessia de um rio com um menino sentado no seu ombro. Segundo reza a lenda, à medida que atravessavam as turbulentas águas, o menino ia tornando-se cada vez mais pesado fazendo com que São Cristóvão quase se afogasse. A minha imaginação fazia o resto! Ao ver a imagem, as perguntas disparavam querendo saber o final e por que motivo o santo não desconfiava que a criança em causa seria jesus? E como não se tinha afogado? E como pode um santo carregar todo o peso do mundo ao ombro?....
Ao fazer uma comparação com os tempos agitados em que vivemos, em que a net proporciona conhecimento como nunca, em que todos têm direito a dizer o que vai na real gana, em que os profetas da desgraça maldizentes, parvoíces e comparações com factos históricos pouco abonatórios, feiticeiros de adivinhações e outros que tal. Enumeram-se nas redes, Bandarra e as suas profecias, Nostradamus,  um chorrilho de livros em que estarão descritos que tudo isto estaria já previsto, só que ninguém tomou as devidas precauções… Para essas pessoas tão sábias e que levaram tão a peito as ditas profecias de São Cipriano, Zandingas do presente, prefiro escolher o Calimero e a sua frase mais utilizada “Isto é uma injustiça! Perdoem-me a comparação, mas por vezes tenho destes devaneios e falta de paciência.
Quanto à imagem do São Cristóvão, padroeiro dos viajantes e motoristas, quando era criança existiam todo o tipo de objetos que as pessoas colocavam na carteira ou no carro pedindo proteção divina em caso de acidente. O telejornal de ontem, mostra o presidente do México com uma imagem não identificável afirmando que a mesma o protegerá dos males da pandemia do coronavírus ao trazê-la sempre no bolso da sua camisa. Outros como Bolsonaro afirma que o vírus nele não entra! O seu principal mentor Trump,  acusa todos os males do mundo aos jornalistas maldizentes. O seu primo “despenteado” Boris Johnson afirma que está tudo sob controlo e que não precisam de se preocupar com ninharias. Confesso que pelo sim pelo não, prefiro usar no bolso o meu São Cristóvão protetor das minhas viagens ao supermercado para comprar pão. É que não me sai da cabeça como pode um pobre homem carregar ao ombro todos os males do mundo?

segunda-feira, 23 de março de 2020

PATRONATO DE NOSSA SENHORA DAS DORES

Eis uma belíssima fotografia. Gosto de "estudar" todos os detalhes fisionómicos das crianças aqui reveladas, do seu olhar de espanto perante o fotógrafo, o momento do clic, um sorriso maroto, um olhar mais triste, enfim vale a pena colocar-mo-nos no lugar das próprias crianças, na época e no motivo que levou à união da ocasião.
Segundo consta, um casal "possivelmente madeirense" decidiu oferecer a estas crianças um uniforme da Congregação de S. Filipe. O casal Ávila doou o tecido e após ser costurado conforme a idade das ditas crianças desfavorecidas, tiraram o retrato para a posteridade. A instituição ainda existe e não sei se terá mais a acrescentar, mas teria muito gosto em saber o resto da história desse feliz dia.       

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

QUINTA DO VALE FORMOSO

A Quinta do Vale Formoso, foi edificada por Mr. Grabham, cidadão britânico e grande industrial na Ilha da Madeira. Da fachada original, pouco resta. As diversas transformações ao longo dos tempos, e a aquisição pelo Governo Regional após o 25 de Abril, a sua conversão em Lar de Idosos e as suas últimas obras já nos anos 90' do século passado, fizeram dos seus jardins e relvados com árvores centenárias, em especial cedros de grandes dimensões e dragoeiros, foram alterando ao longo dos tempos.
A imagem foi pintada por Max Römer e data do ano de 1050.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

AZÁLEAS DE ESPERANÇA



AZÁLEAS DE ESPERANÇA

Era ainda bastante jovem quando iniciou a sua atividade profissional numa empresa do ramo automóvel. A certa altura, notou que tinha dificuldade em controlar as peças mais pequenas e após consulta médica e respetivos exames, foi diagnosticado uma doença incurável que lhe afetaria gradualmente os seus membros e lhe causaria a sua paralisação. Acabou por ter de deixar o trabalho e refugiou-se em casa na solidão do seu quarto à medida que os sintomas de atrofia muscular lhe causavam sofrimento e o deixava impossibilitado de conseguir caminhar e completamente dependente da sua cadeira de rodas. Da janela no seu quarto, passava horas a olhar o horizonte como se o mundo terminasse até ao alcance da sua visão.
Certo dia, apercebeu-se de uma pequena flor num vaso do seu minúsculo quintal. Teve curiosidade de observá-la com maior rigor e pediu à sua esposa que o levasse até ao jardim. Alí pôde ver com maior nitidez aquela flor que tinha nascido, uma azálea!  Então, foi procurar informação sobre tudo o que dizia respeito à dita planta. Pesquisou a internet, pediu livros na biblioteca da sua vila e um dia, resolveu que iria fazer do seu pequeno espaço ao ar livre uma plantação de azáleas. E assim foi! A plantação foi crescendo em pequenos vasos. Aparava, podava, regava e foi tanto o seu carinho que decidiu expandir os seus conhecimentos a outros vizinhos. Certo dia, resolveu fazer uma formação sobre azáleas. Curiosamente, apareceram muitos conhecidos, pessoas isoladas que também vieram saber mais sobre como uma pequena flor tinha transformado um homem doente. E o sucesso foi aumentando até ao ponto de uma estação de televisão ter feito uma reportagem sobre o acontecimento. As suas azáleas de futuro não seriam só o seu mundo. As mensagens de alento, começaram a surgir. Outras pessoas com problemas de saúde graves escreviam-lhe incentivando a continuar o seu belo e colorido mundo. Um dia recebeu uma carta de uma jovem com uma doença terminal e que lhe pedia um vaso de azáleas para cuidar até ao resto do seu tempo de vida. Surgiu então, a hipótese de começar a enviar vasos de azáleas para todos os que quisessem também ter uma pequena planta como companhia e de uma pequena semente, muita esperança nasceu em muitos doentes e pessoas solitárias que ao cuidarem das suas famosas azáleas davam esperança a outros seres humanos.

(Uma pequena história baseada em factos reais)