sexta-feira, 26 de julho de 2019

Memórias - PÁTIO

Fotografia Perestrellos Photographos - Funchal

Nos anos 60´ do século passado o espaço PÁTIO, bem no centro da cidade do Funchal, criou uma nova forma de ver arte e literatura numa zona de esplanada e cafetaria. Tratava-se de aproveitar toda a zona junto aos Vicentes Fotógrafos, em que se podia ver as últimas novidades literárias, uma espécie de galeria aberta que funcionou até aos anos 70´ como tal.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Festa do Japão/2019

A Festa do Japão/2019, foi um sucesso! Cada vez mais concorrida e com mais atrativos, a Embaixada do Japão em Lisboa organizou a "sua" festa anual, onde não faltou gente jovem, muitos estudantes da lígua nipónica, música e costumes tradicionais, bem como comida tradicional do País do Sol Nascente. No próximo ano, haverá que melhorar ainda mais, criando melhores condições para um tão crescente afluxo de entusiastas.  

sexta-feira, 21 de junho de 2019

FESTA DO JAPÃO EM LISBOA

A Festa Anual do Japão em Lisboa, organizado pela Embaixda do Japão em Portugal, será amanhã dia 22 de Junho, à tarde, junto ao Jardim em frente aos Pasteis de Belém. Uma boa ocasião para passar uma tarde diferente com acesso gratuito.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

ANNE FRANK FARIA 90 ANOS


Photo Anne Frank Fonds Basel / Getty Images

Se fosse viva Anne Frank faria 90 anos. Tanta polémica continua passados quase um século, o seu diário, transformado em duas edições (uma original e outra com cortes), duas editoras em guerra por causa dos direitos de publicação, mancham aquilo que deveria ser a escrita sem censura de uma jovem que conta momentos de trágicos da 2ª. Guerra Mundial. A melhor maneira de a não esquecer é lendo os seus apontamentos e dar a conhecer às novas gerações.   

segunda-feira, 11 de março de 2019

UNE VALSE A QUATRE MAINS



UNE VALSE A QUATRE MAINS

Lá por alturas dos anos 40’ do passado século, contavam-me familiares mais velhos existir uma verdadeira competição musical entre duas famílias madeirenses. Era uma época em que as meninas talentosas aprendiam a tocar piano e a falar francês. As meninas frequentavam então o Colégio da Apresentação de Maria enquanto os rapazes tinham aulas no Externato Lisbonense. Mas dizia eu, estaria na mente dos Sousa e dos Pinto da Silva que as suas pupilas fossem assíduas alunas do Colégio da Apresentação tivessem entre aulas de lavores, as decanto coral. Piano só com alguma professora particular que pela cidade do Funchal se encontrasse à época. Segundo se constava, tinham dotes artísticos dignos de autênticos saraus musicais que lá para os lados do alto da Cabouqueira, onde a Calçada se torna mais íngreme e as casas parecem tocarem-se, viviam.
Eu já assisti nos finais dos anos 60’ a alguns desses encontros de cantos e piano, disputas entre duas casas, duas famílias, duas primas e dois pianos como convinha. Eram geralmente aos fins de semana quando a temperatura era mais confortável e os dias solarengos que ao final da tarde, as salas de uma e de outra habitação se engalanavam com os lustres de cristal reluzentes, amigos e parentes próximos se acomodavam nos longos sofás e canapés com naperons e colchinhas de renda ou crochet se cruzavam com almofadas de suma a uma aconchegantes. Abriam-se as verdes venezianas de madeira, e as primas iniciavam o espectáculo. De um lado, a Ana de Sousa. Do outro, Guiomar Pinto sentavam-se em pequenos bancos para escolherem o repertório entre montanhas de pautas musicais. Se de uma sala se atacava com uma polka, do outro a resposta vinha em cançonetas ligeiras ou um excerto de um compositor clássico. Seguiam-se “Für Elise”, “Torna a Surriento” enquanto “Santa Lucia” ou “O Sole Mio” eram efusivamente cantados em duetos, martelados nos pianos até à exaustão. A criançada tentava soletrar num “deslavado” italiano de indecifrável sotaque. A prima Pinto carregava no refrão “O Sole Mio”, enquanto eu virava as folhas das pautas onde estavam desenhadas as notas redondinhas sempre acompanhadas com claves de sol e tracinhos e mais tracinhos que eu não conseguia acompanhar ao dividir as sílabas escritas a negro. Ficava embasbacado como tudo aquilo se transformava em música e podia ser lido como uma página de um livro.
Na sala dos Sousa, tocava-se “La vie en rose”, enquanto Guiomar saltava para Maria Lurdes Resende entoando aos   quatro cantos do salão “Quem passa por Alcobaça/Não passa sem lá voltar!...”. Eu não sabia o que era Alcobaça, ficava a ver os outros cantar. Mas a letra ficava no meu ouvido e por vezes cantarolava e inventava à minha maneira “Quem passa por Alcobaça/Nunca mais lá quer voltar…” era o que me saía da imaginação.
Por vezes os sons silenciavam-se! Os adultos aproveitavam para pedir esta ou aquela modinha preferida. Por vezes chegava perto do piano e tentava dedilhar sons entre teclas negras e alvas como marfim. Suplicava “Música no coração” ou aquela música de um filme que tinha visto no cinema onde uma senhora de guarda-chuva voando sobre os telhados de Londres cantava “Super-cali-fragil-isti-cation… (indecifrável). Os mais novos, batiam palmas falham o tempo e desafinando, mas o que interessava era a prima tocar e cantar como a Julie Andrews “Super-cali-fragil….”
Eram serões animados onde um bom jantar era ouro sobre azul. E nós já estávamos cheios de sandes de carnes frias e sumo de maracujá. Sabíamos que o teclado emudecia aos acordes das primeiras cinco notas do “Danúbio azul”. Do outro lado da calçada, o outro piano ripostava desafiando com as restantes notas da valsa de Strauss. Era o fim da tertúlia, entre palmas e bravos se sucediam, e as primas faziam vénias sem fim, agradecidas entre risos e brincadeiras. No corredor, alguém anunciava que o jantar estava na mesa! Apagavam-se as luzes e os cristais pendentes nos altos tectos deixavam de brilhar até a próxima oportunidade.
Mas foi nos finais da década de 60’ que tudo acabou! Os pais foram partindo para sempre, os pianos ficaram mudos e com pó, as mãos das primas trémulas e sem vontade de cantar ou tocar. As pautas cheias de notas redondinhas, de claves de Sol e tracinhos que dividiam as palavras ficaram guardadas em gavetas das comodas, as venezianas deixaram de ser abertas de par em par como envergonhadas pelos sons musicais que jamais tocariam valsas e canções napolitanas. “O Sole Mio” já não brilhava nem o “Super-cali-fragil-isti…  subia aos telhados de Londres. As primas faleceram, os pianos foram parar a uma casa de leilões ali para os lados da Mouraria. Foi o fim de uma época dourada que entre o velho casario da Calçada da Cabouqueira, um catavento com um galo no topo anunciava outros ventos no horizonte. 


CAM







terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

A BANDA MUNICIPAL ESTÁ DE VOLTA!

A BANDA MUNICIPAL ESTÁ DE VOLTA!

Seria nos finais de Janeiro, que se começava a ouvir com maior regularidade o batuque, a afinação dos diversos instrumentos musicais que ali para os lados da Rua 31 de Janeiro, indicava que a Banda Municipal andava em ensaios para o Carnaval. O som ultrapassava os quintais, o velho casario paredes meias entre a Fábrica Hinton e a Ribeira de Santa Luzia. Pela tardinha, as modinhas aceleravam, tentando acertar o passo entre tubas e fagotes. Brevemente seria a semana de Carnaval e a banda faria a sua aparição pelas principais artérias funchalenses. 
Era o ribombar de bombos, instrumentos de sopro  os primeiros a chamar a atenção do povo que se agrupava para ver a banda passar. Por entre as venezianas, espreitava-se sem ser visto perante tamanha algazarra, barulheira que a uns incomodava e a outros faziam-se acompanhar pelo ritmo quente das modinhas. A criançada, essa perseguia os músicos até ao Jardim Municipal, onde o semi-circulo do palco estava engalanado com coloridas serpentinas e onde cadeiras previamente e estrategicamente colocadas, aguardavam os homens da banda.

Ei-los que chegam! Devidamente engalanados, imitando os índios do Brasil, com vastas e coloridas penas, máscaras e pinturas faciais capazes por em pé os cabelos dos mais pequenos, que fugindo de soslaio, olhos esbugalhados envoltos em mistério e medo. Indiferente, a Banda Municipal tocava o vasto programa nas pautas musicais. Era Carnaval, época de pregar sustos a pequenos e graúdos. E enquanto tocavam sem parar ritmos quentes , modinhas brasileiras, havia sempre alguém com alguma matreirice acompanhava no refrão: Mamãe eu quero…          

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

UMA PENICADA DE CAFÉ

Uma penicada de café

A menina Isaura logo ao raiar da manhã  anuncia aos quatro ventos que já fez uma penicada de café. Mal os colegas ainda com olheiras de noites mal dormidas chegam ao serviço. Depois são doces, bolachas, uma parafernália de açucarados segundo a sua versão: Tudo caseiro… sem corantes nem conservantes para não ferir algum estômago mais sensível.
A menina Isaura é assim todos os dias do ano! Sempre bem disposta saltitando de história em história. Ora está na sua cidade da Beira, de imediato está em Lourenço Marques, Portalegre ou Peniche, como se não houvesse distância, tudo ali pertinho! Às vezes, parece estar debaixo de um imbondeiro contando e encantando meninos travessos aqueles acontecimentos de outrora.  Emociona-se quando fala da sua adorada Beira e um brilhozinho ameaça irromper nos seus olhos.
- Saudade! Eu sei o que isso é!... Depois, recompõe-se e afugenta a tristeza, inventa expressões que não existem nos modernos dicionários, sempre prestável, afável no seu trato, contudo no seu lado mais profundo. Vive como flores coloridas pintadas por crianças. Nós somos os seus meninos mimados em busca de colinho enquanto desabafa de novo. Vai mais uma penicada?   

    
Obrigado pelo seu café que nos faz todos os dias.

Como conclusão, direi que a menina Isaura nasceu na velha Lourenço Marques, viveu na cidade da Beira e é minha colega Educadora de Infância duas décadas a aturar esta criançada.