terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

QUINTA DO VALE FORMOSO

A Quinta do Vale Formoso, foi edificada por Mr. Grabham, cidadão britânico e grande industrial na Ilha da Madeira. Da fachada original, pouco resta. As diversas transformações ao longo dos tempos, e a aquisição pelo Governo Regional após o 25 de Abril, a sua conversão em Lar de Idosos e as suas últimas obras já nos anos 90' do século passado, fizeram dos seus jardins e relvados com árvores centenárias, em especial cedros de grandes dimensões e dragoeiros, foram alterando ao longo dos tempos.
A imagem foi pintada por Max Römer e data do ano de 1050.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

AZÁLEAS DE ESPERANÇA



AZÁLEAS DE ESPERANÇA

Era ainda bastante jovem quando iniciou a sua atividade profissional numa empresa do ramo automóvel. A certa altura, notou que tinha dificuldade em controlar as peças mais pequenas e após consulta médica e respetivos exames, foi diagnosticado uma doença incurável que lhe afetaria gradualmente os seus membros e lhe causaria a sua paralisação. Acabou por ter de deixar o trabalho e refugiou-se em casa na solidão do seu quarto à medida que os sintomas de atrofia muscular lhe causavam sofrimento e o deixava impossibilitado de conseguir caminhar e completamente dependente da sua cadeira de rodas. Da janela no seu quarto, passava horas a olhar o horizonte como se o mundo terminasse até ao alcance da sua visão.
Certo dia, apercebeu-se de uma pequena flor num vaso do seu minúsculo quintal. Teve curiosidade de observá-la com maior rigor e pediu à sua esposa que o levasse até ao jardim. Alí pôde ver com maior nitidez aquela flor que tinha nascido, uma azálea!  Então, foi procurar informação sobre tudo o que dizia respeito à dita planta. Pesquisou a internet, pediu livros na biblioteca da sua vila e um dia, resolveu que iria fazer do seu pequeno espaço ao ar livre uma plantação de azáleas. E assim foi! A plantação foi crescendo em pequenos vasos. Aparava, podava, regava e foi tanto o seu carinho que decidiu expandir os seus conhecimentos a outros vizinhos. Certo dia, resolveu fazer uma formação sobre azáleas. Curiosamente, apareceram muitos conhecidos, pessoas isoladas que também vieram saber mais sobre como uma pequena flor tinha transformado um homem doente. E o sucesso foi aumentando até ao ponto de uma estação de televisão ter feito uma reportagem sobre o acontecimento. As suas azáleas de futuro não seriam só o seu mundo. As mensagens de alento, começaram a surgir. Outras pessoas com problemas de saúde graves escreviam-lhe incentivando a continuar o seu belo e colorido mundo. Um dia recebeu uma carta de uma jovem com uma doença terminal e que lhe pedia um vaso de azáleas para cuidar até ao resto do seu tempo de vida. Surgiu então, a hipótese de começar a enviar vasos de azáleas para todos os que quisessem também ter uma pequena planta como companhia e de uma pequena semente, muita esperança nasceu em muitos doentes e pessoas solitárias que ao cuidarem das suas famosas azáleas davam esperança a outros seres humanos.

(Uma pequena história baseada em factos reais)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

UM COMBOIO COM ASAS E O SEU MAQUINISTA ANTÓNIO FOURNIER



Emblema da Companhia dos Caminhos de Ferro do Monte


Um comboio com asas e o seu maquinista

Quando conheci o amigo António falamos sobre comboios. Sabia do seu novo projeto literário em que o Comboio do Monte seria o tema principal e ofereci-me para lhe enviar para Turim, algum do espólio que possuo sobre o mesmo. Expliquei-lhe que possuía bilhetes, fotografias, postais e livros que lhe poderiam ser úteis no seu trabalho. Foi assim que ficamos amigos durante muitos anos. Por vezes quando passava “em transito” por Lisboa vindo ou a caminho da Madeira, aproveitávamos para desenferrujar com as últimas novidades, presenteava-me com o seu último livro com uma dedicatória e um “boneco” antes de assinar que me fazia lembrar “O Santo” da série televisiva com o Roger Moore. Era um apaixonado pela história do famoso comboio e eu explicava-lhe que tinha vivido precisamente em frente da então Estação Central do Pombal. Ontem surgiu a triste noticia do seu desaparecimento precisamente no seu aniversário e dia de Natal. Quando cheguei a casa, fui à estante consultar e recordar as suas generosas lembranças. Nesta época festiva o comboio mágico e com umas grandes asas levou o seu maquinista para a sua última viagem cósmica. Que saudades irei ter da sua companhia. Foi um prazer imenso ter um amigo assim.
Até sempre António Fournier.         

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A SEGURANÇA SOCIAL NA MADEIRA ATRAVÉS DOS TEMPOS

O encontro este semana teve ampla aceitação dos colegas. Tentei através de imagens de pequenas histórias identificar no tempo, a evolução da Segurança Social na Madeira desde os anos 50 do século passado até aos nossos dias. Agendado está para o próximo ano, no dia dedicado à mesma, mais desenvolvimentos sobre o tema. A ver, vamos!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

O MEDIDOR DE TEMPO

A minha antiguidade de serviço faz com que ultimamente tenho recebido convites para contar episódios passados ao longo da minha longa carreira profissional. São mais de 45 anos, mais de 12 mudanças de serviço e/ou instalações na sua grande maioria por mudança, extinção do serviço, remodelação etc..
Agora, sinto ser uma espécie de "contador de histórias" que como a amiga Sofia Maul  se dedica a entreter colegas, a contar fatos singulares de muitos episódios passados na Madeira e ou em Lisboa.
Talvez seja o único funcionário vivo neste momento que ainda trabalhou na velha Rua do Castanheiro, no antigo Hotel de Santa Clara, topo de Calçada do mesmo nome onde então existia o Auxíio Materno-Infantil e posteriormente a mudança de instalações, com a fusão com a ex-Caixa de Previdência do Funchal e a constituição do atual Centro de Segurança Social da Madeira. Por vezes a ligação entre a minha vida particular e a laboral, confundem-se no tempo. Talvez a minha senilidade comece a ser um problema! No entanto, por vezes quando olho à minha volta, uma grande fatia de colegas e amigos já não fazem parte do meu circulo de contatos pois infelizmente já partiram. As memórias de uma vida de trabalho, essas como a minha colega Teresa Valério que lançou dois livros de memórias, eu ainda vou resistindo.  

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

UM SEGREDO DE DEUS

José Tolentino de Mendonça

Um segredo de Deus

Deus estava cansado de tanta guerra, de tanto ódio, de tanto sofrimento. Resolveu falar com São Pedro, seu discípulo e encarregado do Céu para que lhe desse um momento de alegria, de amizade e carinho. Foi no meio de tanta tristeza, que o seu rosto fechado se abriu levemente deixando transparecer como no retrato de “La Gioconda” um pequeno rasgo de esperança, um leve sorriso.
E sonhou!
Olhou o mapa-mundi.  De olhos semicerrados,  apontou um espaço na grande esfera azul. À primeira vista, pareceu-lhe ser um longínquo espaço vazio no Hemisfério Sul, mas rapidamente concluiu ser terra Argentina. Então, chamou Francisco para seu representante.
Francisco recebeu a notícia e deixou antever um misto de medo e de tristeza, por ver a miséria que o homem criou. No entanto, não desistiu! Após leve meditação, o seu rosto pesado, cansado de tanta luta, tal como o Sol nas Pampas, levemente se iluminou e sorriu. Um sorriso como só ele podia sorrir.
E sonhou!
Também Francisco consultou o mesmo mapa! Ao acaso, apontou para um lugar. Pensou que tinha acertado no azul do Atlântico. Por mero acaso reparou que afinal era um minúsculo pontinho de terra, uma ilha perdida no imenso oceano. Era a Madeira! Do  pequeno cantinho chamou um dia, Tolentino.
E sonhou!
Tolentino recebeu a notícia! Ficou pensativo; taciturno, preocupado por tão alto cargo. Tinha a incumbência de carregar toda a Biblioteca do Vaticano nas suas humildes costas, todo o peso das palavras escritas. Era obra! Como a imensa beleza da Pietá, sentiu que o peso era compensado pela beleza da obra.  Levemente o seu rosto enrubesceu, pareceu até ter ficado ligeiramente envergonhado com tamanha imensidão.
E sorriu!
Por fim, Deus deu por completa a hercúlea obra!  Cansado pôde por fim dormitar um pouco.
Segundo consta, D. José Tolentino de Mendonça estava na Biblioteca do Vaticano pesquisando livros sem fim. Encontrou uma humilde caixa de cartão cheia de lembranças. Dentro, estavam inúmeros objectos antigos, postais de amigos que já partiram, lembranças de santos, velhas receitas etc.. No fundo da dita caixa, um manuscrito amarelecido, letra desenhada a antiga pena, dizia ser o quarto segredo do Mundo.

O resto da história é segredo e não pode ser divulgado, ou deixaria de ser por si só, segredo! Há quem diga ter visto D. Tolentino a rezar e a sorrir, um bom prenúncio para este Mundo. 

CAM - 4/10/2019